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O Chato

Alguns negam, outros não sabem. Alguns mais, outros menos. Todos somos chatos!

87 – Chimarrão III

| 4 Comments

Pois é,
Seguimos com nosso “Verdadeiro e Único Manual Ilustrado e Poético do Chato para Iniciantes no Chimarrão
Más um “antes, porém”. Antes, porém, de continuar, duas observações:
1. voltei a comentar os cometários, desde o post que iniciou essa série. Assim, quem estiver interessado…
2. o Mahai, gaúcho dos buenachos, observou que é possível cevar o chimarrão com cachaça; Sim, Mahai, sei disso, mas estava deixando para um “curso avançado”….hehehe
Pos, continuando…
3. Colocando a bomba
Corro o risco, com esse título, de ter meu humilde blog vasculhado pelo F_B_I. Vão pensar que eu sou terrorista. Assim que, se não tiverem notícias minhas por uma semana, façam uma campanha de assinaturas pedindo ao Cão, vulgo B@sh, minha imediata libertação. Mas cultura também é sacrifício e, se assim for, cumpro feliz com minha missão: colocar a bomba.
Para principiantes, talvez essa seja a fase mais complicada. Mas não se preocupem, tudo se torna fácil com a experiência, que o digam as meninas…
Antes, porém, (hehehe) um aviso para os portadores de destreza na mão esquerda (vulgo canhotos): a bomba, quando o chimarrão será tomado por mais de uma pessoa sempre é colocada com a mão direita (a menos que todas as pessoas que estejam tomando chimarrão sejam portadoras de destreza na mão esquerda). E pronto! Tenho dito! É fácil ver quando o chimarrão foi feito por um canhoto, digo, por um porta…. que esqueceu essa regrinha básica. Vocês vão ver.
E por falar em matear solito:
“Meu patrício,aí foi o mate,
Vá chupando, despacito,
Que é triste matear solito
Quando a velhice nos bate.
Por isso, neste arremate,
Que chegou num arrepio,
Meu velho peito vazio
Que játeve tantadona
Ressonga que nem cordeona
Nos bailes de rancherio!
Não é que me falte fibra
Nem firmeza no garrão
Pois meu velho coração
Bem compassado ainda vibra.
Quem gastou libra por libra
Da sorte fazendo alarde,
Não cala por ser covarde
Nem chora por ser manheiro,
Lamenta é osol derradeiro
Que vai borcando na tarde!
É a saudade, essa punilha
Que nos vai roendo o carnal,
Esse caruncho infernal
Que fura até curunilha;
É a derradeira tropilha
DA vida mal tironeada
Que chegando ao fim da estrada
Se dá conta, num segundo,
Que veio e vai deste mundo
Sofrendo a troco de nada!
É triste matear sozinho
De tarde ou de madrugada
Amargando a paleteada
De algum passado carinho,
Como dói lembrar o ninho
Que o tempo levou na enchente,
Mas, porém, deixou semente
De tristeza e de amargura
Pra reviver a ternura
De alguém que já foi da gente.
É por isso meu patrício
Que não mateio solito
Embora o verde bendito
Pra mim seja mais que vício.
É meu último munício,
Que não dispenso nem largo
E peço a Deus, sem embargo
Da chucreza do meu canto
Que no Céu me guarde um Santo
Parceiro pra o Mate-Amargo!
As etapas (depois da erva cevada):
a. como segurar a bomba antes de introduzí-la no buraco

Envolva suavemente seu corpo cilindrico com quatro dedos e sinta a dureza, a firmeza … da bomba, meninas! Mantenha a bomba voltada para a frente e o polegar esticado (olha a foto). Após, tapa a boca com o polegar.
Tchê loco, não deveria dizer, mas vá que alguém se confunda: a boca é a da bomba! (olha a foto).
b. como introduzir a bomba no buraco
Pega a cuia com a mão esquerda de forma que o buraco fique voltado para a direita. A seguir, posicione a bomba a meia distância das bordas do morrinho levemente inclinada. Vá introduzindo aos poucos e girando em direção à borda do morrinho mais proxima de ti. Uma detalhe importante: a bomba deve descer acompanhando a curvatura da cuia, de tal sorte que, quando chegar ao fundo, estará parcialmente tapada pela erva e encostada no morrinho
Só ao sentir que chegou no fundo é que tu deves tirar o dedo. Do bocal! Da boca da bomba, tchê!
c. como ajeitar a bomba
Agora vais chupar (a bomba, por supuesto) para tirar o que sobrou da água da cevadura. Nesse momento aproveita para fazer pequenos ajustes na bomba (girar levemente de um lado para outro) para que a água corra soltita. Cospe fora, pois além de fria, essa água vem carregada de pó e otras cositas más. Chupa bem até roncar!

Teu chimarrão tá pronto pra ser tomado. Mas ainda faltam alguns detalhes importantes. Amanhã seguimos…


Pintura: Pensativo. Óleo sobre tela. Daniel Colnago Fleitas, em www.artelista.com

4 Comments

  1. Se a gente aprende até a fazer os outros gemerem sem sentir dor, isto não pode ser tãããão complicado…
    Dindo, e não é mesmo. É só praticar que a coisa vai… a bomba entra… até pra chupar (a bomba) tem seu jeitinho: não pode ser muito forte que “queima”… hehehe abs

  2. Don Afonso, estou aqui pensativo: o que fazer quando acabar essa série. Compro um kit completo e resolvo experimentar ou volto para meu estimado Moka que não precisa de ritual nenhum? Dúvida cruel. No entanto aguardo a conclusão da novela. Manda aí, tchê!
    Comprar o kit não é necessário, Valter. Te mando um de presente. Quanto ao ritual, é claro que, assim escrito, parece maior do que realmente é no dia-a-dia. De toda sorte, ainda não viste o post sobre a “etiqueta ao tomar chimarrão: regras básicas de boa educação”, hehehe

  3. Eu sou uma monga! Meu chimarrão não se parece, em nada, com o da foto. Tô humilhada!
    heheheh, treina… bjs

  4. Oi Afonso, estou de volta. Chimarrão? Tô fora. Não gosto nem um pouco. Beijocas saudosas
    Que bom que estás de volta; que pena que não gostas de chimarrão. Talvez seja porque ainda não tomaste o chimarrão do Chato, hehehe bjs

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